Dia 2 de fevereiro, Salvador, Rio Vermelho, 5h da manhã.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Mimos para Sereia
Dia 2 de fevereiro, Salvador, Rio Vermelho, 5h da manhã.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A menina e a jangada
– Está vendo aquele morro? – apontou ele em direção a costa.
– Sim! – Respondeu a menina sem muita segurança.
– É o Morro do Urubu. Perceba que ele tem um formato diferente dos outros. Quando estamos no mar, voltando para casa de dia, ele é a referência. É por ele que sabermos exatamente onde devemos chegar com a jangada. Se for a noite, a referência são as estrelas.
– Humrrum! – respondeu.
A menina balançou a cabeça concordando, mas com um semblante atônito.Era como se os anos longe daquele vilarejo e as cargas urbanas recebidas junto as responsabilidades da vida de concreto tivessem-lhe roubado a capacidade de naturalizar aquela realidade e sentir o seu amigo de perto. Um grande silêncio pairou. A menina, de pernas cruzadas na proa da jangada, não tirava os olhos da costa. Somente o som do vento na vela entoava, assim como se escutava o fundo da jangada batendo na água, a cada nova onda que passava.
Já na direção certa, completamente perpendicular a linha do horizonte, uma onda embalou a jangada.
– Uhuu....... Se segura que essa onda é nossa! – disse o pescador anunciando o final do passeio, com um pouco mais de emoção.
A menina titubeou, mas agarrou-se às cordas da âncora que estavam ao alcance e deixou escapar um sorriso de satisfação. Ela não lembrava que pegar onda na jangada era a parte mais divertida do passeio que fazia todas as férias. Ele fez questão de lembrá-la, retirando a menina do estado estupefato que havia lhe tomado o corpo desde o início do passeio. Não era tensão, nem medo. Talvez um deslumbramento, um estado absorto de contemplação. Ela esgueirou-se sobre a jangada e fingiu pilotar a embarcação. Ali a adrenalina correu fina no sangue e lubrificou os sentidos da menina.
Aportaram à praia de Majorlândia da mesma maneira como em tantas férias. Eles eram exatamente os mesmos de 15 anos atrás.
*Este conto é uma homenagem a todas as amizades construídas nos litorais, a sabedoria caiçara, aos ensinamentos de moradores de comunidades aos arrogantes das capitais.
Majorlândia está localizada ao lado da Praia de Canoa Quebrada (4km pela praia) e pertence ao município de Aracati (150km de Fortaleza). A praia tem bastante infra-estrutura de hospedagem, lazer e alimentação. É possível fazer passeios de jangada, subir no Morro do Urubu para apreciar um pôr-do-sol inesquecível, além de visitar as esculturas gigantes nas falésias de Toinho de Carneiro. A oferta de frutos do mar frescos é sempre grande. Come-se pratos excelentes como Peixe Frito, Camarão no Alho e Óleo e Muqueca de Arraia na Barraca do Lauro ou no restaurante Gilberto. Desfrutar da tranqüilidade de Majorlândia só é aconselhável em períodos de calmaria. Recomenda-se ir fora de feriados como carnaval e réveillon, datas que o local fica bem barulhento e conturbado por visitantes das cidades mais próximas. O palco no Calçadão principal tira o sossego do local com bandas de forró e axé desagradáveis. Fuja das atribuladas datas comemorativas e desfrute!
PS: Procure um local que irá recebê-lo bem em Majorlândia. Deixo a dica: Tampinha, filho do Lauro da barraca. Peixe fresco, passeios de jangada, dicas de caminhadas. Contato: 88- 99511614.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Os encantos da sereia de Barreiras – Icapuí, Ceará
Numa caminhada despretensiosa dos últimos dias de 2011, visitei uma falésia alta e bonita, formação comum na região de Icapuí. Saí de Barreiras de Sereia em direção a falésia que se avistava de longe, na direção oeste. O que eu não sabia é que eu estava indo em direção ao vilarejo de Vila Nova, ao encontro de uma pedra que guarda a famosa lenda da sereia de Icapuí. Acompanhada do meu namorado, Diogo, fomos até lá, fotografamos, aproveitamos a paisagem e voltamos, já depois do sol. Com a iluminação comprometida, caminhamos pela areia fofa entre as jangadas e a maré alta, que insistia em nos refrescar os pés, no vai-e-vem das águas. A praia estava completamente deserta, quando avistamos uma mulher sobre uma jangada, de pernas cruzadas em posição de meditação. Seus cachos loiros mexiam-se indisciplinadamente com a força do vento, cobrindo parte de seu rosto, que parecia sorrir em direção ao mar. Continuamos caminhando. Na penumbra da noite recém chegada, com olhos de soslaio, Diogo me perguntou ressabiado se eu também tinha visto uma mulher sentada ou se ele tinha visto “coisas”. Ri e respondi que sim, havia uma moça na jangada que acabávamos de cruzar. Olhar para trás não adiantava, a escuridão tomava conta.
Dois dias depois, sou abordada pela artista plástica argentina Paula de Deus, divulgando seu trabalho, na pracinha de Icapuí.
– Oi, vocês querem conhecer meu trabalho? Eu estava meditando na praia e vi vocês voltando lá da pedra da sereia, em Vila Nova. Gostaria de apresentar meu trabalho para vocês, baseado na lenda. Vocês foram até a pedra?
Eu olhei com cara de interrogação para a menina e disse que não sabia do que se tratava, mas me interessei pelo assunto.
Paula de Deus me explicou sobre o projeto Hino do Planeta que reúne vários artistas em torno de uma única causa: a vida no planeta. E, para ela, tem tudo a ver com a lenda da sereia de Barreiras. Músicos de várias partes do Brasil estão reunidos para propagar o amor a vida, a importância da natureza nessa ligação divina e a valorização da cultura nordestina. Com CD gravado, camisas desenhadas, telas e quadros pintados, o projeto Hino do Planeta propõe uma militância em torno do amor a vida e a arte. Músicos e grupos como Pingo de Fortaleza (CE), Tribo do Sol (BA), Ukiemana (MG) e Udiyana Bandha (GO) apoiam a causa e estão envolvidos na divulgação do projeto. A idéia é organizar um grande encontro artístico em 2014, aproveitando o contingente humano que estará no Ceará devido a Copa do Mundo e chamar atenção para a arte que é produzida no estado e no Brasil. Será um encontro nas imediações do Castelão que trará a mensagens de amor, paz, união através de várias manifestações artísticas.
Eu confesso que gostaria de ter tido mais tempo conversando com Paula de Deus. Ler os textos contidos no CD que adquiri e o blog do projeto não foi suficiente para captar de fato a relação da lenda da sereia de Barreiras com o nascimento do projeto. É uma associação que não consegui fazer. Mas fiquei bem curiosa e decidi divulgar a iniciativa que prega o amor e a arte.
Pelo que entendi, a lenda da sereia entra na história como uma metáfora de reflexão sobre a vida. As pessoas da região contam sobre uma sereia que morava num reino encantado. Ela foi aprisionada com seus tesouros dentro da pedra e está a espera de alguém que quebre o feitiço e a liberte. Na pedra existe uma pegada e se o pé de alguém couber na marca, a sereia será libertada.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, em dezembro de 2011, quando conseguiu levar seu trabalho como artista plástica para uma exposição no restaurante Alma Gêmea, em Fortaleza, Paula de Deus disse que a lenda faz uma referência a relação do ser humano com a água e suas próprias origens. E questionou: “Será que estamos realmente cumprindo nossa missão na Terra?". Esse foi o mote da reflexão para a criação do projeto Hino do Planeta.
Como artista plástica, Paula de Deus tem um trabalho louvável. O traço dela me fisgou. Ela desenha e pinta bem melhor que escreve em português. Parte de sua obra pode ser vista em seu blog, onde descreve e divulga o projeto Hino do Planeta. http://paularespiradedeus.blogspot.com e http://hinodoplaneta.blogspot.com/
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Reerguer é preciso!




terça-feira, 30 de agosto de 2011
Guia Por Onde Andei – Holbox e Isla Mujeres
Não se pode deixar de conhecer estas duas ilhotas hermosas que estão bem próximas uma da outra, nos arredores da divisa do mar do caribe com o mar do golfo. Pelicanos, flamingos, iguanas, arraias, tubarão baleia podem ser vistos por aí. Eu sugiro não tardar muito a visitar Holbox, pois diz a comunidade local e quem por lá vive que mais da metade da ilha, ou melhor, do banco de areia (são conceitos distintos geograficamente. A ilha é composta por uma formação rochosa e o banco de areia é somente areia. Por duas vezes Holbox já foi completamente coberta pelas águas do mar, quando passou um furacão no local. A última vez foi em 2005) já foi vendido para a mesma empresa que construiu aquele empreendimento nos Emirados Árabes, que uniu duas ilhas por uma super estrutura de hotel resort. O prazo para início das obras é 2016. Então, quem quiser conhecer um lugar especial, longe ainda do megalomaníaco do homem endinherado, corra! A sugestão para ficar é a Casa Maya José de Lima. Lá eu fui bem recebida e me acomodaram muito bem em um dormitório para 8 pessoas. Detalhe: em meados de agosto eu me encontrava sozinha no dormitório. A sensação era de estar sozinha em todo hostel/pousada. Isso foi meio sombrio, mas nada demais também. Paguei barato, fiquei praticamente num quarto privado gigante e fui muito bem tratada. Depois soube que o hostel mais pop era um que se chama Tribus. Ele tem mais convênios com outros hostels e acaba indicando para outros turistas. Visitei o local e tinha bem mais pessoas hospedadas. Vale a pena!

A vida noturna de Holbox se resume a uma pracinha com crianças brincando – nada raro no México – bons, mas muito bons mesmo, restaurantes. Come-se muito bem em Holbox. Do sushi à comida mexicana, mas sem pompa. Tudo com muita simplicidade e com o sossego da vida local sempre prevalecendo sobre os turistas que aí chegam.
PS: Foto do tubarão baleia nadando com a mulher de vermelho foi retirada da internet. Não encontrei os créditos. A de baixo é minha, hehe!
Buraco da Fechadura
(1) As cantinas realmente tradicionais no México sempre vendem cervejas e dão gratuitamente o acompanhamento. Isso mesmo, você bebe cerveja e o tira-gosto é de graça. Fui numa que se pagava $16 pesos a long neck e vinha caldo de siri, ceviche, arroz de camarão, peixe frito, tudo de graça. Impressionante! Acreditem, foi o melhor lugar de Isla que visitei. Ainda tinha um tecladinho com um cantante bem brega. Adoro! Se duvidar, foi o melhor lugar de todos, das férias inteira. O problema é que eu esqueci o nome do lugar. Hehehe! Mas não é difícil encontrar. Perguntem no hostel Poc-na por uma cantina bem tradicional que eles vão te indicar esta. Não está longe do hostel. Por incrível que pareça, fica no centro turístico. Imagina se eu fosse procurar aquelas que devem ter no bairro residencial. Meu Deus, preciso voltar neste lugar, urgente. Fiquei na vontade. Foram só dois dias.
(2) Serviço: Em Holbox – Casa Maya José Lima. Situado na beira da praia. Rua Guaya, 33. Dormitório coletivo: $80 pesos. Contato:+52 998 8924144. Escritório em Mérida: +52 01 (984) 875 2428. Vale a pena também ficar no Tribu, se você gosta de algo mais movimentado. Av. Pedro Joaquim Coldwell, mz 19, lote 6. Contato: +52 01 984 8752507.
Em Isla Mujeres – Poc-na Hostel. Av. Matamoros, 15. Contato: +52 01 998 877 0090 e info@pocna.com. Dormitório coletivo: $ 120 pesos. www.pocna.com. Em Isla vale procurar apartamentos para alugar na zona residencial para longas temporadas. Imagino que possa ter lugares mais interessantes do ponto de vista da cultura local que o Poc-na, embora eu tenha me divertido bastante por lá. Tudo depende do seu objetivo e do tempo disponível.
Los Voladores en mera ruína al mar!
Seu Quirino é um homem forte. Aos 56 anos, voa leve como um pássaro. Leva a tradição veracruzana no corpo quando veste seu traje de volador e gira de pernas para o ar em torno do el palo volador, há mais de 30 anos. Pousou em Tulum há 6 anos. “Mas o governo não ajuda nem apóia o nosso trabalho em nada. Todo dinheiro que conseguimos é da gorjeta turística”, conta. Seu Quirino deixou Vera Cruz, alugou uma casinha no povoado de Tulum junto com outros colegas e hoje se apresenta de
Buraco da Fechadura
O caribe pode ser econômico sim!
Todo aquele estereótipo construído pela mídia sobre o Caribe faz, em parte, algum sentido sim. Os mitos se comprovam. A areia branquíssima não esquenta, a água translúcida não esfria e o sol raras vezes se esconde nestes meses de agosto e setembro (também quando se esconde dá espaço para os não tão singelos furacões, comuns na região). Mas raras vezes se fala sobre as civilizações maias que ali habitaram e sobre as possibilidades econômicas de estadia. O Caribe mexicano é também parte da cultura daquele país e não se pode fechar os olhos para o apartheid que muitas vezes se implanta ali, entre a invasão turística e a população local, que pouco conseguiu preservar suas tradições na costa do estado de Quintana Roo. Muitos deixaram o litoral, outros se moldaram aos novos tipos de serviços ofertados pelos grandes investimentos como hotéis, restaurantes e parques de lazer. Outros vilarejos ainda resistem, mantém-se como comunidade pesqueira. É o caso de Punta Allen, localizado ao sul de Tulum, na península de Boca Paila, na Reserva Sian Ka´na Biosfera. Neste lugarejo eu não fui.
Mas muitos me falaram e acredito que vale a pena uma parada neste pico, já que as recomendações vieram de pessoas que sabiam o que eu procurava: sossego e natureza. Cheguei no Caribe por Tulum e de lá foi difícil sair. Foram 12 dias numa cabana na beira da praia. Pé na areia 24 horas. Muito sossego. Redes no meio do coqueiral, água de coco, churrasco, cerveja, alguns churros e conversa fiada com quem passava. Italianos, franceses, espanhóis, mexicanos, israelitas (estes sim, estão por toda parte). No período em que me hospedei na Playa esperanza (1) não passou nenhum gringo (eles devem preferir os resorts de Cancún).
Em 25 passos eu já estava no mar (ver a foto tirada da janela da minha cabana). Por isso tardei tanto em me mover mais que o necessário para comer, tomar banho de mar, deitar nas redes e tirar um cochilo na praia. Um dia joguei volley com a turma da Playa Esperanza, mas foi o máximo de esforço que fiz. Ah, também nadei um pouco, fazendo snorkel na barreira de corais situada há algunsmetros da minha cabana, na praia Paraíso. Descobri uma maravilha do Caribe que nunca tinha escutado falar: os cenotes. É uma espécie de grutas de calcário com água transparente e potável surgindo do solo, formando grandes piscinas naturais. Aqui a água é mais fria que no mar. Bom para se refrescar do calor sufocante de Tulum.
Da máquina de costura ao mar
(1) Serviço: Cabanas, camping e redes para alugar. Playa Esperanza: situada na Praia Paraíso, Tulum. Cabana: 350 pesos para 2 pessoas. Rede e camping: 50 pesos por pessoa. Falar com Jamie (foto). Contatos: +52 19841453652 e jamie_luraschi@hotmail.com







